Uma parte de crescer é saber exprimir sentimentos. E não é uma sobrancelha levantada, uma lágrima ou um sorriso no canto da boca. É fala-los. É, para quem não consegue, cuspi-los. Uma parte de saber crescer é poder aceitar ajuda ou o ombro amigo e não ficar na infância onde os nossos pais, à força de lidarem tanto connosco, já sabiam à légua o que estavamos a pensar e a sentir; mesmo quando não nos ligavam nenhuma.
Quando não se cresce, é sempre pior quando acontece a uma mulher. Imagine-se, além do preconceito associado - cabra fria (se fosse um homem, estava pura e simplesmente a ser um homem) - há ainda a frustração do que é natural: nós, gajas, somos por excelência o sexo que que exprime e melhor se articula em sentimentos. E espera-se isso de nós: que excretemos os maus sentimentos e exultemos os bons pelo dom da palavra e com a amiga mais próxima.
Quando uma mulher não cresce e não conecta com um qualquer próximo, é como se perdesse um membro ou não tivesse peito. É como se o género já não fosse identificado com uma correspondência unívoca.
Uma mulher que não fala tem um cancro a mina-la. Uma mulher que não expurga o que sente é uma mulher condenada à mais dura das doenças terminais - a solidão.
Tuesday, February 3, 2009
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