Friday, November 7, 2008

Dois mil. Dois mil e dois.

Primaveras, Outonos. Passaram-se anos e foi só ontem. Primavera, Outono. Em mim é Inverno vazio. Não há folhas, não há neve. Há a luz difusa do Inverno e o frio húmido nos ossos.
Pensei que quando me beijasse me sentisse viva, mas foi pior. Fiquei mais morta. Eu não queria morrer! Esta morte orgânica é tão pior que não ser amada. Sentir que não há nada dentro das paredes da pele, sentir que o vácuo é tão imenso doí mais do que não se ser correspondido.

Nem as ilusões nos salvam: no fim do dia sou eu contra mim própria, e nenhuma de nós ganha.

Sunday, November 2, 2008

Gambozinos

Um, dois, quatro, mais. Sonho com todos eles. Eles: reais, de carne e pele e ar nos pulmões. E cheiros, e olhos. Sonho com eles todos. Sonho com os tons, com as vibrações da voz. Sonho com os braços e as pernas, sonho comigo: sonho com o ar que respiram, com as palavras.
É tão duro saber que tudo o que me resta são sonhos e que, por pura dependência, sonho repetidamente.

Que eles fossem todos meus, todos eles: as peles, as mãos, os orgãos. Que fossem todos meus, eles que utilizam outra linguagem.

Se eles fossem meus, oh Deus! Já não eram sonhos. Eram meus!

http://br.youtube.com/watch?v=M8xG08JNdmg